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Como funciona a eleição na Venezuela

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O verdadeiro tesouro da Venezuela não é o petróleo. É o ouro guardado em Londres





O episódio venezuelano é um aviso claro de como a política pode interferir em ativos que, durante muito tempo, foram considerados intocáveis.



Será realmente pelo combate ao narcotráfico, como tantas vezes defende o Presidente dos EUA, Donald Trump? Pelo petróleo, como muitos justificam a ação americana? Ou pelo ouro?



Ilustração do ouro da Venezuela


Pode ser que o grande tesouro da Venezuela não seja o petróleo. De facto, desde que os Estados Unidos atacaram Caracas, começou a ouvir-se com força um conjunto de teorias que têm um denominador comum: o maior tesouro venezuelano está a milhares de quilómetros da nação, sob o solo da capital do Reino Unido.



Sim, sob as ruas da City, nos cofres do Bank of England, permanecem imobilizadas cerca de 31 toneladas de ouro pertencentes à Venezuela, um ativo que em 2020 estava avaliado em torno de 1.400 milhões de libras (cerca de 1,6 mil milhões de euros) e que hoje vale bastante mais após a forte subida do preço do metal.





Um conflito que regressa ao centro do debate internacional




A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos voltou a trazer este assunto para o primeiro plano internacional, reabrindo uma pergunta que há anos não tem uma resposta clara: quem tem realmente direito a controlar essas reservas.




Embora a atenção global se concentre geralmente no petróleo venezuelano, o ouro representa cerca de 15% das reservas externas do país e tornou-se uma peça-chave de um braço de ferro político, jurídico e geopolítico que vai muito além de Caracas.





A origem do bloqueio e o papel do Reino Unido




A origem do bloqueio remonta a 2018, após umas eleições presidenciais contestadas e o endurecimento das sanções promovidas por Trump durante o seu primeiro mandato.



O Reino Unido, juntamente com dezenas de países, deixou de reconhecer Maduro como presidente legítimo e, perante as pressões da oposição venezuelana, recusou autorizar a repatriação do ouro, alegando o risco de este ser utilizado para sustentar um regime autoritário ou mesmo desviado.




A isto juntou-se, segundo revelou mais tarde o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton, um pedido expresso de Washington para que Londres mantivesse o bloqueio, colocando o banco central britânico e o Governo no centro de uma batalha que misturava direito internacional, sanções e diplomacia.






Batalha judicial e impasse legal




Em 2020, Caracas recorreu aos tribunais britânicos para reclamar o ouro, argumentando que necessitava desses fundos para enfrentar a pandemia. No entanto, o processo complicou-se quando Juan Guaidó, então reconhecido por Londres como presidente interino, reclamou também a titularidade das reservas.



O litígio deu origem a um emaranhado legal sobre a quem deveria obedecer o Banco de Inglaterra, uma questão que continua sem resolução mesmo depois de Guaidó ter perdido o reconhecimento internacional.



O resultado é um limbo jurídico em que o ouro permanece imobilizado, sem que nenhuma das partes possa dispor dele.








Delcygate foi um escândalo político em Espanha que começou em janeiro de 2020 quando Delcy Rodríguez, então vice-presidente da Venezuela, chegou ao aeroporto de Madrid-Barajas num jato privado e acabou por encontrar-se com o então ministro espanhol dos Transportes, José Luis Ábalos, do Partido Socialista (PSOE). Aconteceu apesar de Delcy Rodríguez estar sancionada pela União Europeia e proibida de entrar no espaço Schengen, o que gerou suspeitas de violação das sanções.




Acusações de “pirataria” e polémicas posteriores




A partir do círculo chavista, a retenção do ouro foi denunciada como um ato de “pirataria”, uma acusação formulada na altura por Delcy Rodríguez, que mais tarde ficou envolvida no escândalo conhecido como Delcygate, após a sua alegada viagem secreta a Madrid em 2020, apesar de uma proibição de entrada na União Europeia, e a presumível venda de lingotes venezuelanos.



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Venezuela: Governo anuncia libertação de 116 presos, mas ONG confirmam 24




O Governo venezuelano anunciou hoje a libertação de 116 presos políticos, mas a organização não-governamental (ONG) Foro Penal apenas confirmou a libertação de 24 reclusos das prisões venezuelanas de La Crisálida e El Rodeo 1.


Venezuela: Governo anuncia libertação de 116 presos, mas ONG confirmam 24





Num comunicado divulgado nas redes sociais, a ONG indicou que continua a verificar outras possíveis libertações ocorridas durante a manhã, tendo publicado a lista com a identidade dos 24 reclusos cuja saída das prisões conseguiu confirmar.



O Governo da Venezuela afirmou que as libertações resultam de uma revisão integral dos processos, enquadrada numa política de "justiça, diálogo e preservação da paz".



"Estas medidas foram benéficas para as pessoas privadas de liberdade por factos relacionados com a perturbação da ordem constitucional e a atenção à estabilidade da nação", explicou o executivo através de um comunicado do Ministério do Serviço Penitenciário.




Nove mulheres foram libertadas da prisão de La Crisálida e pelo menos 15 homens foram libertados da prisão de El Rodeo 1, incluindo dois cidadãos italianos, o trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò, e um com dupla nacionalidade espanhola e venezuelana, Alejandro González de Canales Plaza.



O Tribunal Penal venezuelano publicou também uma fotografia nas redes sociais que mostrava várias das mulheres libertadas.




O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, informou entretanto que Trentini e Burlò estão bem de saúde e encontram-se na embaixada italiana em Caracas, aguardando indicações para regressarem ao país nas próximas horas.




A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, manifestou "alegria e satisfação" pela libertação dos dois compatriotas e agradeceu a "colaboração construtiva" das autoridades venezuelanas.




Alejandro González de Canales Plaza é o ex-companheiro de Rocío San Miguel, advogada e ativista espanhola-venezuelana que foi libertada na semana passada e que constava entre as cinco cidadãs espanholas que se encontravam detidas na Venezuela.




As 24 libertações agora confirmadas somam-se às 17 anteriormente contabilizadas pelo Tribunal Penal, enquanto a Plataforma Democrática Unitária (PUD), principal coligação da oposição, tinha registado 22 libertações até sábado.




As ONG e a maioria da oposição consideram, no entanto, que o processo de libertações anunciado na quinta-feira passada está a avançar "a passo de caracol".



As famílias dos presos políticos continuam à espera de novos desenvolvimentos, uma semana após a tomada de posse da Presidente interina, Delcy Rodríguez, mantendo-se também a expectativa sobre a evolução das relações entre Caracas e Washington.




Organizações de defesa dos direitos humanos estimam que existam entre 800 e 1.200 presos por razões políticas na Venezuela.




No domingo, a ONG Comité para a Liberdade dos Presos Políticos denunciou a morte sob custódia do Estado de Edison José Torres Fernández, um agente da polícia de 52 anos, detido em dezembro por alegadamente ter partilhado mensagens críticas contra o chavismo.




O anúncio das libertações ocorreu após pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou ter influência direta sobre o processo político em Caracas depois da captura de Nicolás Maduro.



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Oposição da Venezuela diz que só foram libertados 2% dos presos políticos




O principal bloco de oposição da Venezuela criticou hoje que tenham sido libertados apenas 24 presos políticos desde quinta-feira, quando foi anunciada a libertação de um "número significativo" de pessoas.


Oposição da Venezuela diz que só foram libertados 2% dos presos políticos







A Plataforma Democrática Unitária (PDU) salientou que "quase mil pessoas" continuam detidas por motivos políticos, numa situação que constitui uma "tática deliberada de protelação" e mostra um "escárnio inaceitável".



O número de presos libertados "representa pouco mais de 2%" do total, sublinhou.




Este cenário "é agravado por muitos dos libertados terem estado sujeitos a medidas cautelares pesadas", acrescentou a PDU, numa mensagem publicada nas redes sociais, reiterando que o número verificado de libertações é inferior às 116 anunciadas pelo Governo.





Na semana passada, Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da Presidente interina venezuelana, Delcy Rodriguez, anunciou a libertação de um "número significativo" de pessoas, sem divulgar uma lista com o total ou especificar nomes.





O Ministério do Serviço Penitenciário da Venezuela disse que foram libertadas, nas últimas horas, 116 pessoas detidas por "atos associados à perturbação da ordem constitucional e ameaça à estabilidade da nação".




A organização não-governamental Foro Penal, de defesa dos presos políticos na Venezuela, confirmou a libertação de mais de 40 pessoas.




A PDU exigiu que os responsáveis "avancem, sem demora, para a libertação plena e imediata de todos os presos políticos, sem exceções ou condições arbitrárias".




Para o bloco, esta exigência é "ainda mais urgente" depois da morte, no sábado, do preso político Edison José Torres Fernández.




Esta morte eleva para 26 o número de presos políticos falecidos sob custódia do Estado, indicou a PDU.




"Não pode haver portas giratórias. É inaceitável libertar uns enquanto outros são detidos, perseguidos ou sujeitos a processos judiciais infundados", considerou.





"A justiça não pode ser seletiva nem utilizada como mecanismo de pressão política", afirmou ainda, apelando à comunidade internacional para que se solidarize com as famílias que, nos últimos dias, têm mantido vigílias em frente a várias prisões, aguardando a libertação dos seus entes queridos.



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Venezuela garante que exército mantem honra "intacta" após ataque dos EUA




O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, assegurou hoje que as Forças Armadas do país mantêm a "honra militar intacta", apesar da intervenção dos Estados Unidos, a 03 deste mês.


Venezuela garante que exército mantem honra intacta após ataque dos EUA







Numa mensagem divulgada nas redes sociais, o responsável pela pasta da Defesa, em funções desde 2014, afirmou que as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), apesar também do sequestro do Presidente, Nicolás Maduro, e da mulher, a deputada Cilia Flores, conservam igualmente a "dignidade intacta", bem como "determinação, equilíbrio emocional e lealdade".



Padrino López referiu que, na madrugada de 03 deste mês, viu "com os próprios olhos a determinação, a entrega, a coragem e a lealdade dos homens e mulheres" militares.


"A Venezuela tem de continuar o seu caminho e as FANB, com toda a sua moral e dignidade, tem de dar os passos necessários para garantir a ordem, a paz social e a estabilidade política, institucional e constitucional da pátria", afirmou, num vídeo publicado nas redes sociais.


Na segunda-feira, o ministro apelou para a "unidade e serenidade" nas Forças Armadas, sublinhando que "a intriga e o sectarismo em nada ajudam à paz".


Padrino Lopez indicou também que as FANB se comprometem a apoiar e acatar o apelo à unidade feito pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, "nestes momentos difíceis e decisivos que o país vive".


A 03 de janeiro, forças militares norte-americanas atacaram Caracas e três regiões próximas da capital e capturaram Maduro e Flores, que foram levados para Nova Iorque, onde vão ser julgados por acusações relacionadas com narcoterrorismo, tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais.


Dois dias depois, Rodríguez, que exercia funções como vice-presidente executiva, assumiu a presidência interina na sequência de uma ordem do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ).



Desde então, o Governo venezuelano anunciou negociações de natureza diplomática e petrolífera com os Estados Unidos.



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Ministro do Interior diz que na Venezuela continua a governar a revolução




O ministro do Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, disse quinta-feira que, apesar de os Estados Unidos terem capturado recentemente o Presidente da República, Nicolás Maduro, no país "continua a governar a revolução bolivariana".


Ministro do Interior diz que na Venezuela continua a governar a revolução




Dirigindo-se a alguns opositores venezuelanos, Diosdado Cabello, sublinhou no seu programa televisivo "Con el Mazo Dando" (Dando com o Malho), que o regime está a viver um processo que é do povo.



"Aqui continua a governar a revolução bolivariana (...). Celebraram a morte de Hugo Chávez, levaram sequestrado Nicolás, mas isto é um processo, não é Nicolás, não é Diosdado, é um povo. Isto é um processo que se consegue com consciência, não com dinheiro", afirmou.




O ministro disse que houve da parte dos Estados Unidos a verdadeira intenção de vincular o regime venezuelano com grupos criminosos, com o narcotráfico e o terrorismo, mas que já é público e notório que o que aconteceu foi pelo petróleo dos venezuelanos.




"Levaram um presidente, que mantêm refém nos Estados Unidos, e sujeito a um julgamento que denunciámos publicamente. Nós, que conhecemos Nicolás Maduro, conhecemos a companheira Cília Flores sabemos que são inocentes, totalmente inocentes de qualquer acusação que lhes seja feita. E eles assumiram isto com dignidade", disse, sublinhando que os venezuelanos exigem os seus líderes de regresso.




Por outro lado, Diosdado Cabello desmentiu notícias internacionais que davam conta que teria ele tido conversações com os Estados Unidos, desde meses antes da captura de Nicolás Maduro a 03 de janeiro último, atribuindo essas notícias a uma campanha de mentiras.




"Desafio quem quer que seja a mostrar uma prova de que me reuni aqui com alguém, ou que me reuni com alguém. Eu não tenho preço", disse.



Em 03 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.




Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.



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MP diz que entre "100 e 120 venezuelanos" morreram após ataque dos EUA




O procurador-geral da Venezuela afirmou hoje que no ataque militar dos Estados Unidos a Caracas, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa morreram "entre 100 e 120 venezuelanos", tanto civis como militares.


MP diz que entre 100 e 120 venezuelanos morreram após ataque dos EUA




"Um acontecimento sem precedentes, ocorrido a 3 de janeiro, por meios de força, de violência, com um saldo lamentável de entre 100 a 120 venezuelanos, civis e militares, massacrados de maneira totalmente, eu diria aberrante, injusta, mas à margem de toda a legalidade", garantiu Tarek William Saab num ato do "Ministério Público vai à tua comunidade", transmitido pelo canal privado Globovisión.



Saab indicou que o ataque foi realizado com "bombardeiros, helicópteros armados com mísseis, com armas químicas", que, segundo afirmou, causaram também danos em zonas residenciais, "onde havia idosos, crianças, mulheres, muitos dos quais faleceram".


O responsável adiantou que este ataque dos EUA, que terminou com a captura de Maduro e da sua esposa Cilia Flores, viola a Constituição dos Estados Unidos, bem como convenções internacionais de direitos humanos das Nações Unidas, o Tribunal Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional.



"Portanto, num contexto alheio ao que é um mundo de paz, ocorreram estes factos e isso não pode ser desconsiderado, esquecido", acrescentou.



O titular do Ministério Público assegurou que em março próximo está prevista uma nova audiência judicial para Maduro e Flores em Nova Iorque, que enfrentam acusações relacionadas com narcoterrorismo, pelo que fez um apelo à Justiça norte-americana para dar "um passo em frente" perante o que descreveu como uma acusação "absolutamente incoerente, inverosímil".




Na madrugada do passado dia 3 de janeiro, tropas norte-americanas protagonizaram ataques em Caracas e outros três estados da Venezuela, incluindo La Guaira, nos quais capturaram Maduro e Flores, que foram transferidos para Nova Iorque e apresentados perante um tribunal federal.



O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, informou que 47 elementos da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) morreram durante a operação, um número que se soma a 32 militares cubanos falecidos, segundo informou o Governo da ilha das Caraíbas.




O ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, denunciou que pelo menos 100 pessoas morreram na ação militar dos Estados Unidos.




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Libertada luso-venezuelana condenada a 20 anos (cinco foram cumpridos)




A luso-venezuelana Carla da Silva foi detida em 2020 e condenada a 21 anos de prisão pelos crimes de Conspiração e Associação Para Cometer Crimes no âmbito do caso Gedeón, tentativa de gole de Estado.


Libertada luso-venezuelana condenada a 20 anos (cinco foram cumpridos)





A luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a 21 anos de prisão na Venezuela, foi libertada este domingo, anunciou esta noite o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.



Em comunicado, o MNE refere que "está a acompanhar o caso e em contacto com a família".





Ainda segundo a tutela, Carla da Silva, "que acaba de ser libertada", cumpriu "até agora, cinco anos, oito meses e 20 dias de prisão."




Ao Notícias ao Minuto, o MNE explica ainda que Carla Rosaura Da Silva Marrero estava presa desde 5 de maio de 2020, "e condenada a cumprir 21 anos de prisão pelos crimes de Conspiração e Associação Para Cometer Crimes, pelo caso Gedeón (Tentativa de golpe de Estado e Assasinato de Nicolás Maduro)."





"Estava presa no Instituto Nacional de Orientação Femenina (INOF) desde 27 de setembro do ano passado, depois de ser transferida desde o SEBIN [Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional]", acrescenta o MNE.




Quem é Carla da Silva?





Carla da Silva tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o governo da Venezuela.




A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.




Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na Operação Gedeón, também conhecida como Macutazo.




Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o governo do presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual morreram seis dissidentes.



Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, então presa preventivamente há mais de três anos.




"Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 5 de maio de 2020, e encontra-se em El Helicoide [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí [...]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente", explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.



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Cabello declara "lealdade" das forças de segurança a Delcy Rodríguez




O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou "lealdade absoluta" das forças de segurança à presidente interina, Delcy Rodríguez, num evento onde a reconheceu como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).


Cabello declara lealdade das forças de segurança a Delcy Rodríguez





Diosdado Cabello realçou na quarta-feira que as forças policiais estão a responder com união à "escuridão que aqueles que violaram" a soberania venezuelana estão "a tentar impor".



O ministro falava três semanas após a operação militar norte-americana em que o Presidente Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram capturados.




"A nossa lealdade à Constituição nacional e à sua presidente em exercício é absoluta, porque entendemos que defender o seu Governo é defender a continuidade do Governo e a integridade do povo venezuelano", realçou Cabello na cerimónia transmitida pelo canal estatal VTV.



No discurso, proferido em nome de todas as forças policiais e de inteligência, o segundo em comando do chavismo afirmou o reconhecimento de Rodríguez como comandante-chefe das Forças Armadas e também das forças policiais.




"Sob o seu comando, garantiremos com eficiência a ordem interna e a proteção do povo", acrescentou.




O também secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), formação política no poder, sublinhou ainda que não permitirá que "nenhuma circunstância ou ameaça" seja explorada para "semear o caos" no país.




O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, referiu na quarta-feira ao Congresso que a Administração Trump não está a preparar, nem pretende realizar, um novo ataque em território venezuelano, mas não descartou o uso da força para obrigar o governo interino da Venezuela a cooperar.




Rodriguez assumiu as funções do poder executivo em 05 de janeiro, quando foi empossada pelo irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (parlamento), em cumprimento de uma ordem do Supremo Tribunal de Justiça.




A presidente interina indicou que o país está a iniciar uma nova fase política e anunciou um processo exploratório para retomar as relações com os Estados Unidos, que inclui a venda de crude venezuelano.



Trump, por sua vez, exigiu o acesso irrestrito ao petróleo venezuelano e afirmou recentemente que o governo interino de Rodríguez demonstrou uma liderança muito forte.



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Delcy Rodríguez propõe "lei de amnistia geral" para presos políticos




A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou na sexta-feira uma lei de amnistia geral na Venezuela, para libertar os presos políticos detidos desde 1999 até ao presente, período que abrange os governos chavistas.


Delcy Rodríguez propõe lei de amnistia geral para presos políticos




"Quero anunciar que decidimos promover uma lei de amnistia geral que abrange todo o período de violência política desde 1999 até ao presente", frisou Rodríguez na cerimónia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), transmitida pelo canal estatal VTV.



No seu discurso, Rodríguez defendeu a realização de uma "grande consulta nacional" para construir um novo sistema de justiça no país.




A presidente interina da Venezuela pediu ainda aos detidos e aos recentemente libertados que não cedam à "vingança ou ao ódio".




"Peço àqueles que beneficiaram destas medidas, àqueles que foram privados da sua liberdade, àqueles que foram libertados. Peço, em nome de todos os venezuelanos, que a vingança, a retaliação e o ódio não prevaleçam. Estamos a dar-lhes a oportunidade de viver em paz e tranquilidade", declarou Rodríguez.





O anuncio surge menos de um mês depois da captura do Presidente Nicolás Maduro numa operação realizada pelos Estados Unidos no país sul-americano.




Delcy Rodríguez propôs ainda na sexta-feira que o Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional em Caracas, denunciado por organizações não-governamentais (ONG) e membros da oposição como um centro de tortura, seja transformado num centro social e desportivo.




A proposta foi anunciada semanas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem o Governo interino de Rodríguez mantém relações, ter falado sobre o encerramento de uma "câmara de tortura" na capital venezuelana.





Na Venezuela, existem pelo menos 711 presos políticos, incluindo 65 estrangeiros, segundo a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos.




Sob pressão dos Estados Unidos após a detenção do presidente Nicolás Maduro, o Governo venezuelano prometeu em 08 de janeiro libertar os presos políticos, mas estas libertações têm ocorrido apenas esporadicamente.




O Governo venezuelano anunciou na segunda-feira que mais de 800 presos políticos, sem nunca os referir como tal, foram libertados, alegando que estas libertações começaram "antes de dezembro" e a captura de Maduro em 03 de janeiro.




O Foro Penal contesta este número, reportando apenas 418 libertações desde dezembro, 303 das quais ocorreram desde 08 de janeiro.




Dezenas de familiares estão acampados em frente às prisões de todo o país desde 08 de janeiro, aguardando as libertações.




Várias ONG têm esclarecido que os presos políticos foram libertados, mas não completamente, pois receberam medidas alternativas à prisão.





Martha Tineo, coordenadora da organização Justiça, Encontro e Perdão (JEP), referiu na quarta-feira à agência Efe que os presos políticos que saíram da prisão nas últimas semanas enfrentam restrições, incluindo a proibição de sair do país, de falar com a imprensa sobre os seus casos e a obrigação de comparecer periodicamente perante os tribunais.




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Um mês após captura de Maduro, Venezuela oscila entre esperança e temor




Em transição desde o afastamento, a 03 de janeiro, de Nicolás Maduro do poder, o ambiente na Venezuela é de calma, contrastando com o sentimento da população, que mistura esperança com temor e incerteza com ponderação.


Um mês após captura de Maduro, Venezuela oscila entre esperança e temor





"Passou um mês, continuamos a observar, a vigiar o que acontece. Há esperança e temor quando ao futuro político e económico. Esperança de que rapidamente a situação se estabilize, que a economia melhore rapidamente, mas também temor a eventuais situações de repressão e possível violência entre a população", explicou Carlos Martínez à Lusa.



O construtor civil, de 60 anos, diz que a situação exige ponderação e cautela e sublinhou que já viveu situações complicadas no país, entre os quais o violento 'Caracazo', uma explosão social em protesto contra medidas económicas, que desencadeou saques a estabelecimentos comerciais e mais de 270 mortos.




"Estamos politicamente e socialmente mais maduros e entendemos os riscos, mas esta mudança abrupto gera ansiedade e tensões difíceis de minimizar e que vão requerer um esforço global da sociedade para controlar", disse.




Maria Eugenia Pérez, uma 'concierge' de 45 anos de idade, ainda se arrepia ao lembrar o zumbido dos helicópteros norte-americanos que em 03 de janeiro voaram sobre Caracas, rompendo a tranquilidade de uma noite de Ano Novo.




Os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.




"Senti medo e continuo a sentir. A transição, a tutelagem de forças estrangeiras não tem sido o melhor em vários outros países. Necessitamos de ter estabilidade política. Estamos cansados de anos de crise económica, social, e de conflituosidade", disse Pérez.




Andreína Marquéz, uma contabilista de 41 anos, continua incrédula quanto a uma mudança real no país, mas acredita que "algo terá que melhorar" e que os venezuelanos precisam reencontrar-se.




"Foi anunciada uma amnistia para os presos políticos e isso representa um avanço, a possibilidade de uma abertura política, de eleições livres e democráticas, de pluralismo ideológico, de uma reconciliação, mas é preciso que haja também justiça", disse.




Segundo Eduardo Yepez, um empregado de mesa de 50 anos, os clientes dos restaurantes continuam a falar das suas preocupações, da instabilidade no país, mas evitam tomar uma posição política.




"Alguns mais atrevidos comentam que algo tem que mudar em breve no país, porque as coisas não estão bem, estão agravando-se sem travão desde há anos", mas adverte que cada vez há menos clientes nos restaurantes e que a situação económica não está a melhorar.




Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.




Maduro e a mulher prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos se declararam inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.



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Corina Machado pronta para discutir transição com líder interina da Venezuela




A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, disse que está disposta a reunir-se com a presidente interina Delcy Rodríguez "se necessário" para estabelecer um "cronograma de transição".


Corina Machado pronta para discutir transição com líder interina da Venezuela





De acordo com um comunicado, a vencedora do Prémio Nobel da Paz falava na segunda-feira, durante uma reunião online com a imprensa da Colômbia, um mês após o rapto do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, pelas forças armadas norte-americanas, em Caracas.



"Se for necessário reunirmos para definir um calendário para a transição, isso acontecerá", afirmou Machado, em referência a Rodríguez, apesar de acrescentar que o Governo interino "continua a ser uma máfia".




No sábado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu no sábado juntar chavismo e oposição para aproximar posições para uma transição democrática na Venezuela.




"Temos que fazer algo a este respeito. Talvez juntar as partes e fazer algo", respondeu Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, quando questionado se Corina Machado deveria poder regressar à Venezuela.




Trump acrescentou que Machado "é uma pessoa muito boa e, ao mesmo tempo, a liderança atual está a fazer um ótimo trabalho", referindo-se a Delcy Rodríguez.




Quanto ao setor petrolífero, o dirigente norte-americano garantiu que fechou um acordo com a Índia, para que Nova Deli adquira petróleo da Venezuela em vez do petróleo iraniano, e garantiu que a China "será bem-vinda" se quiser fazer negócio.




O Governo Trump não detalhou publicamente os prazos para a transição democrática na Venezuela, após a captura de Maduro e da mulher, Cilia Flores, no dia 03 de janeiro, durante um ataque dos Estados Unidos ao país sul-americano.




O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em 28 de janeiro, no Senado, que o objetivo da Administração Trump é alcançar uma "Venezuela democrática" através de eleições "livres e justas", mas alertou que a transição não é uma questão de semanas e que levará algum tempo.



A embaixadora norte-americana Laura Dogu chegou no sábado a Caracas para reabrir a missão diplomática dos Estados Unidos na Venezuela, encerrada há sete anos, após a rutura das relações diplomáticas entre os dois países.




A chegada de Dogu ocorreu um dia depois de Delcy Rodríguez ter anunciado uma amnistia geral para todos os presos políticos e o encerramento do Helicoide, um centro de detenção temido pelas torturas e violações dos direitos humanos.




A diplomata falou na segunda-feira, durante o primeiro encontro com a presidente interina, sobre a necessidade de uma transição na Venezuela.



"Encontrei-me com Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez [presidente da Assembleia Nacional] para reiterar as três fases que Rubio propôs para a Venezuela: estabilização, recuperação económica e reconciliação, e transição", escreveu Dogu na rede social X.



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Maduro foi preso há um mês. Como está e quando volta à justiça?




Faz esta terça-feira um mês desde que Nicolás Maduro foi detido no âmbito de uma operação militar norte-americana na Venezuela. Volvidos estes dias, que se sabe sobre o ex-presidente venezuelano?


Maduro foi preso há um mês. Como está e quando volta à justiça?





Nicolás Maduro "está de bom humor". Estas são as informações mais recentes que se tem sobre o ex-presidente venezuelano. A informação foi transmitida aos jornalistas pelo seu filho, Nicolás Maduro Guerra, numa das mais recentes visitas que lhe fez na prisão.



O ex-governante foi detido no dia 3 de janeiro no âmbito de uma operação militar dos Estados Unidos. Já em território norte-americano foi acusado de crime organizado e narcotráfico. É ainda acusado por narcoterrorismo por ter importado cocaína para os EUA.




Maduro e a sua mulher, Cília Flores, acusada por implicação nos mesmos crimes, estão detidos desde então, estando agendado para o próximo dia 17 de março uma nova audiência.





Até lá, marido e mulher permanecem detidos numa cela n Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova Iorque.




O que o futuro reserva a Maduro?





O julgamento de Nicolás e Cília pode durar anos, lembra o 20 minutos, porém, se considerados culpados dos crimes em causa, arriscam várias décadas de prisão ou até pena de prisão perpétua.




O futuro de Nicolás Maduro não se afigura fácil, porém, há um fator que pode jogar a seu favor. Na mais recente visita do seu filho, este lembrou que o sequestro do pai "é ilegal".




"Tudo o que os Estados Unidos fizeram em relação à Venezuela é ilegal, é nulo desde o início", afirma o filho.




A defesa deverá tentar alegar a imunidade de Maduro como chefe de Estado para alegar que a detenção do ex-governante é nula, mas não será um argumento fácil de utilizar, afirma o professor de Direito Jorge Contesse.




Pode, no entanto, questionar-se como é que os EUA reconhecem a legitimidade de Delcy Rodrigues para assumir o cargo de presidente interina - tendo sido ela braço direito de Maduro -, e não se reconhecer a legitimidade de Maduro.




Esta não é a primeira vez que os EUA capturam o líder de outro país. Foi o que aconteceu com Manuel Noriega em janeiro de 1990. Nesse caso, e num julgamento que aconteceu dois dias após a sua detenção, o líder militar do Panamá foi considerado culpado também dos crimes de narcotráfico, crime organizado e lavagem de dinheiro. Foi julgado por não ser reconhecido como presidente legitimo do seu país.




O futuro de Maduro mantém-se assim uma incógnita, sendo necessário esperar pouco mais de um mês para se perceber o que se seguirá.




Entretanto, na Venezuela, em transição desde o afastamento, a 3 de janeiro, de Nicolás Maduro do poder, o ambiente é de calma, contrastando com o sentimento da população, que mistura esperança com temor e incerteza com ponderação.



nm
 
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