Ambição de Trump sobre a Gronelândia intensifica tensão com a Europa
A intenção reiterada do presidente dos EUA, Donald Trump, de adquirir a Gronelândia, admitindo usar força militar, voltou a provocar tensão diplomática com a Europa num contexto agravado pela intervenção norte-americana na Venezuela.
Território autónomo do Reino da Dinamarca, situado entre os oceanos Atlântico e Ártico, a Gronelândia tem cerca de um quarto da sua superfície coberta de gelo, uma população de aproximadamente 56.000 habitantes e recursos minerais estratégicos, incluindo terras raras, cujo valor aumentou com o degelo progressivo do Ártico.
A incerteza em torno dos planos de Trump intensificou-se desde a visita privada do seu filho, Donald Trump Jr., à ilha, em janeiro de 2025, e da deslocação do vice-Presidente, JD Vance, à base militar norte-americana de Pituffik, em março do mesmo ano.
O interesse de Trump pela Gronelândia remonta ao seu primeiro mandato, quando, em agosto de 2019, confirmou publicamente a intenção de comprar o território, proposta rejeitada de imediato pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que afirmou que "a Gronelândia não está à venda".
Já no seu segundo mandato, Trump declarou, em dezembro de 2024, que a "propriedade e o controlo" da ilha constituem uma "necessidade absoluta" para a segurança nacional dos Estados Unidos, posição reiterada nos últimos dias pela Casa Branca, que admitiu não excluir o uso das forças armadas e manifestou também disponibilidade para uma compra.
Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, os assessores de Trump estão a preparar um plano atualizado para encontrar uma via que permita adquirir o território, declaração que voltou a alarmar governos europeus.
Copenhaga reagiu convocando repetidamente representantes diplomáticos norte-americanos e exigindo respeito pela integridade territorial do reino, posição apoiada pela Comissão Europeia e por vários chefes de Governo europeus, que sublinharam que a soberania da Dinamarca é essencial para a União Europeia.
O primeiro-ministro da Gronelândia, Múte B. Egede, apelou à calma, reiterando que o futuro do território cabe exclusivamente aos groenlandeses, embora tenha manifestado abertura para reforçar a cooperação económica com Washington.
Uma sondagem divulgada em janeiro de 2025 indicou que 85% da população da Gronelândia se opõe a uma eventual saída da Dinamarca, contra apenas 6% favoráveis à anexação aos Estados Unidos.
O interesse norte-americano pela ilha não é novo e remonta ao século XIX, tendo sido formalizado em 1946, quando o então Presidente Harry Truman ofereceu 100 milhões de dólares à Dinamarca pela Gronelândia, proposta rejeitada por Copenhaga.
Mas a ambição em relação à Gronelândia insere-se numa longa tradição expansionista norte-americana, iniciada no século XIX, com a compra da Luisiana à França, em 1803, por 15 milhões de dólares, durante a presidência de Thomas Jefferson, acordo aceite por Napoleão Bonaparte e que duplicou a dimensão territorial dos Estados Unidos.
Em 1819, a Flórida oriental foi cedida por Espanha através do Tratado Adams-Onís, seguindo-se a incorporação do Texas, em 1845, e a chamada Cessão Mexicana após a guerra de 1848, que integrou vastos territórios hoje correspondentes à Califórnia, Nevada, Utah, Arizona e partes de outros estados do sudoeste.
A expansão prosseguiu com a compra do Alasca à Rússia, em 1867, por 7,2 milhões de dólares, e com a aquisição das atuais Ilhas Virgens Americanas à Dinamarca, em 1917, por 25 milhões de dólares em ouro.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm uma presença militar permanente na Gronelândia, herdeira de acordos assinados durante a Segunda Guerra Mundial e da instalação da estratégica base aérea de Thule, um dos pilares do sistema de defesa no Ártico durante a Guerra Fria.
Trump diz que governo cubano "está por um fio" e "em sérios apuros"
O presidente norte-americano, Donald Trump, alertou hoje que o Governo cubano liderado por Miguel Díaz-Canel "está por um fio" e "em sérios apuros", na sequência do recente ataque dos EUA contra a Venezuela para deter Nicolás Maduro.
"Acho que Cuba está por um fio. Cuba está em sérios apuros (...) Cuba está em apuros há 45 anos e não caiu. Mas acho que estão muito perto disso por vontade própria", realçou, numa entrevista ao programa do radialista Hugh Hewitt, quando questionado se havia alguma possibilidade de Díaz-Canel cair.
Sobre a possibilidade de exercer mais pressão sobre Havana, o presidente norte-americano respondeu que não acredita que possa fazer mais do que "entrar e destruir o local".
Destacou ainda que a ilha depende dos recursos venezuelanos, que, desde a detenção de Maduro, quer concentrar nas empresas norte-americanas.
As declarações do republicano surgem depois da operação militar dos EUA no país da América Latina, que levou à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da mulher, Cilia Flores.
A 'número dois' do Governo de Maduro, Delcy Rodriguez - irmã do atual presidente do parlamento - foi entretanto investida como nova presidente da Venezuela.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabelo, indicou hoje que pelo menos 100 pessoas morreram na sequência do ataque dos Estados Unidos.
A agência France-Presse (AFP) noticiou a morte de pelo menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos.
Renee era "guerreira" anti-ICE? O que levou ICE a matar a norte-americana
Renee faria parte de um grupo de protesto contra os serviços de imigração norte-americana. Recorde-se, porém, que imagens do momento levantam dúvidas quanto às teorias de Washington que dizem que esta tentou atropelar o agente. O que levou ICE a matar mulher norte-americana?
Mãe de três filhos, poetisa premiada e guitarrista amadora, têm-se levantado questões sobre o motivo pelo qual se tornou alvo dos serviços de imigração norte-americanos. As dúvidas adensam-se inclusivamente pelo facto de se tratar de uma cidadã norte-americana.
Justificação de Washington
Recorde-se que após o incidente, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia MacLaughlin, disse que o tiroteio ocorreu quando "manifestantes violentos" estavam "a impedir que os agentes do ICE" realizassem uma operação.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, insistiu que o agente de controlo agiu em "legítima defesa" e a porta-voz da Casa Branca afirmou que as forças de segurança norte-americanas estão a enfrentar um "ataque organizado" em todo o país.
"O incidente fatal ocorrido ontem (quarta-feira) no Minnesota é o resultado de um movimento de esquerda mais amplo e perigoso que se espalhou por todo o país, onde os bravos homens e mulheres da polícia enfrentam um ataque organizado", afirmou Karoline Leavitt.
Renee era uma guerreira anti-ICE?
Estas afirmações vêm agora de encontro a novas informações sobre a mulher, a que o NY Post alegadamente teve acesso. Segundo esta publicação, a mulher faria parte de um grupo de esquerda radical que desencadeou vários protestos contra o ICE, no Minnesota.
Renee Nicole Good era uma "guerreira" anti-ICE e fazia parte de um grupo de ativistas que trabalhava para "resistir" à repressão federal à imigração em Minnesota. A mulher, que se mudou para a cidade no ano passado, juntou-se a estes através da comunidade escolar do seu filho de 6 anos, comunidade essa que se orgulha de colocar "a justiça social em primeiro lugar" e priorizar "o envolvimento das crianças no ativismo político e social"
"Ela era uma guerreira. Morreu a fazer o que era certo", afirmou outro elemento deste grupo, ao The Post, durante uma vigília de homenagem a Renee.
Mas que movimento é este?
Segundo a mesma publicação, os 'Indivisible' são uma ramificação do 'Indivisible Project' em Washington DC, que se autodenomina como um movimento para derrotar a "agenda Trump".
A Indivisible Twin Cities, que se descreve como um grupo de voluntários de base, liderou muitos dos protestos contra as rusgas do ICE em Minnesota, onde Renee Macklin Good foi morta a tiro na quarta-feira.
Na análise do jornal é possível ver, frame a frame, o que se passou entre os agentes envolvidos no tiroteio e a mulher de 37 anos, que estava num veículo. Segundo o mesmo meio, o tiro fatal teria sido disparado quando o agente já não estava em frente à viatura, ou seja, não correndo perigo de ser atropelado.
Capturar Putin? "Não acho que seja necessário", admite Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a necessidade de uma operação para capturar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, semelhante à que ocorreu na Venezuela. Trump defendeu-se dizendo: "Sempre tive uma ótima relação com ele".
O presidente dos Estados Unidos defendeu na sexta-feira que não "será necessário" organizar uma operação à semelhança da que aconteceu na Venezuela para capturar o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
"Não acho que seja necessário. Sempre tive uma ótima relação com ele", afirmou em declarações aos jornalistas em Washington, após uma reunião com executivos do setor petrolífero.
O comentário, recorde-se, surge depois de a administração Trump ter organizado e autorizado um ataque à Venezuela para capturar o presidente, agora destituído, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores. O casal foi levado para os Estados Unidos onde permanece detido até ao seu julgamento. Maduro é acusado de importar cocaína para os Estados Unidos, entre outros crimes.
Na mesma conversa, na sexta-feira, Trump acrescentou: "Estou muito desiludido. Resolvi oito guerras e achei que esta [entre a Rússia e a Ucrânia] seria talvez uma das mais fáceis".
Apesar de os esforços dos Estados Unidos terem sido, recorrentemente, frustrados, Donald Trump continuou a mostrar-se confiante na resolução do conflito, frisando que Moscovo perdeu 31 mil pessoas só no mês passado e que a economia nacional está numa "má situação".
"Acho que vamos acabar por resolver isto. Gostava que o pudéssemos ter feito mais rápido", admitiu.
Mais à frente, mas ainda durante a mesma conversa, Trump comentou ainda que Vladimir Putin não se sente intimidado ou minimamente pressionado pelos líderes europeus para chegar a um acordo com Kyiv. Esse papel, defendeu, cabe exclusivamente aos Estados Unidos.
"A Europa tem feito muito pela Ucrânia, mas não tem sido o suficiente. E eu diria que o presidente Putin não tem medo da Europa. Ele tem medo dos Estados Unidos da América liderados por mim", atirou.
As declarações do presidente norte-americano surgem numa altura em que o acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia já estará "90% pronto".
Ainda não se sabe, contudo, qual será a resposta de Moscovo ao documento, que, depois de uma primeira versão, tem sido trabalhado maioritariamente pela Ucrânia com a mediação dos Estados Unidos.
"Continuar a aplicar a lei". Polícias federais enviados para Minneapolis
Centenas de polícias federais vão ser enviados para Minneapolis entre hoje e segunda-feira, anunciou a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, depois de uma residente norte-americana ter sido morta por um agente do Serviço de Imigração (ICE).
"Continuaremos a aplicar a lei: se os indivíduos cometerem atos de violência contra as forças da lei ou obstruírem as nossas operações, isso é crime e vamos responsabilizá-los pelas consequências", disse a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, durante uma participação no programa "Sunday Morning Futures" da Fox News.
Antes, na CNN, a secretária acusou os democratas de "incentivarem" a violência contra o ICE, o braço da ofensiva da administração norte-americana contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, que foi declarada prioridade nacional.
Enquanto se realizam manifestações por todo o país para lamentar a tragédia que tirou a vida à norte-americana Renee Nicole Good, de 37 anos, Kristi Noem reiterou a versão oficial dos acontecimentos como legítima defesa, referindo-se ao sucedido como um ato de "terrorismo doméstico".
Apesar de vários políticos democratas, principalmente o governador do Minnesota, Tim Walz, e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, contestem esta explicação, com base em imagens de vídeo, a secretária de Segurança Interna acusa-os de terem "politizado excessivamente a situação", falando "inapropriadamente" sobre o que se passa no local.
"Inflamaram a opinião pública. Incentivaram o tipo de destruição e violência que temos visto em Minneapolis nos últimos dias", declarou.
Desde o tiroteio de quarta-feira em Minneapolis, milhares de pessoas têm-se manifestado em várias cidades do país, na sua maioria de forma pacífica, exigindo uma investigação completa sobre as circunstâncias do tiroteio fatal.
Os parlamentares democratas criticam particularmente o facto de os investigadores locais terem sido excluídos da investigação do FBI.
A investigação deverá ser "neutra, imparcial e baseada nos factos", reiterou hoje o presidente da Câmara de Minneapolis, em entrevista à CNN.
Jacob Frey considerou ainda legítimas as ações de ativistas organizadas para tentar travar as operações de fiscalização da imigração --- do tipo em que a vítima estava a participar.
"É claro que as leis devem ser cumpridas, obviamente. Mas também existe a obrigação de as cumprir e de conduzir as operações policiais de forma consistente com a Constituição", disse o autarca de Minneapolis, dando exemplos como "mulheres grávidas a serem arrastadas nas ruas" e "estudantes do liceu" a serem detidos sem motivo.
Cuba alerta EUA: "Pronta para defender pátria até última gota de sangue"
O Presidente de Cuba afirmou hoje que "ninguém dita o que fazer" ao país, em resposta às ameaças proferidas pelo homólogo norte-americano, Donald Trump.
Cuba é "uma nação livre e independente", escreveu Miguel Diaz-Canel, na rede social X.
"Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos, e não ameaça, prepara-se, pronta para defender a pátria até à última gota de sangue", acrescentou.
Anteriormente, Trump tinha exortado Cuba a "aceitar um acordo, antes que seja tarde demais", e que o país fique sem petróleo e dinheiro venezuelanos.
Os Estados Unidos lançaram há uma semana uma operação em Caracas para capturar o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e anunciaram que pretendem administrar o país e o petróleo.
Acusados de tráfico de droga, Maduro e a mulher, Cilia Flores, que se declararam inocentes perante a justiça norte-americana, em Nova Iorque, encontram-se detidos nos Estados Unidos.
Na sequência da captura de Maduro, a antiga vice-presidente Delcy Rodriguez foi nomeada Presidente interina.
No sábado, Trump decretou "emergência nacional" para proteger as receitas das vendas de petróleo da Venezuela nas contas do Tesouro norte-americano, impedindo que os credores da dívida externa venezuelana reclamem os fundos.
A ordem "bloqueia qualquer embargo, julgamento, decreto, direito de retenção, execução ou qualquer outro processo judicial contra" fundos que estejam em contas do governo dos Estados Unidos derivados das vendas de petróleo venezuelano e "proíbe transferências ou negociações" desses recursos.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, de acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267 mil milhões) e do Irão.
Minnesota e Illinois processam Governo Trump para impedir ICE
Os estados do Minnesota e Illinois processaram o Governo federal para impedir um aumento das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), após a morte de uma mulher por um agente em Minneapolis.
O Estado do Minnesota e as Twin Cities de Minneapolis e St. Paul apresentaram hoje uma ação judicial num tribunal federal, juntamente com um pedido de injunção para suspender a ação ou limitar a operação, noticiou a agência Associated Press (AP).
O Departamento de Segurança Interna adiantou que vai enviar mais de 2.000 agentes de imigração para o Minnesota e que já realizou mais de 2.000 detenções na cidade desde o início da operação, no mês passado.
O ICE classificou a operação no Minnesota como a maior já realizada.
A ação judicial alega que a operação viola a lei federal por ser arbitrária e caprichosa, uma vez que outros estados não estão a enfrentar medidas semelhantes.
E embora a administração Trump afirme que o objetivo é combater a fraude, a ação alega que os agentes do ICE não têm experiência no combate à fraude em programas governamentais.
No Illinois, mais de 4.300 pessoas foram detidas na "Operação Midway Blitz" no ano passado. Patrulhas de agentes mascarados e armados atingiram bairros de Chicago e muitos subúrbios.
Entre outras coisas, o processo judicial apresentado hoje num tribunal federal alega que a repressão teve um efeito intimidatório, fazendo com que os residentes tivessem medo de sair de casa ou de utilizar os serviços públicos.
"Assistimos horrorizados à agressão e ao terror de agentes federais sem qualquer controlo nas nossas comunidades e bairros em Illinois, minando os direitos constitucionais e ameaçando a segurança pública", frisou o governador de Illinois, JB Pritzker, em comunicado.
Um homem foi morto na repressão no Estado do Illinois, enquanto a norte-americana Renee Nicole Good foi morta em Minneapolis na quarta-feira por um agente do ICE, durante uma operação de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade.
A morte provocou forte comoção em Minneapolis, que foi palco de protestos de grande escala em 2020 após a morte de George Floyd durante uma intervenção policial, levando milhares de pessoas a concentrarem-se no local onde Good foi abatida, para prestar homenagem, e centenas a participarem em manifestações que se seguiram.
Desde o tiroteio de quarta-feira em Minneapolis, milhares de pessoas têm-se manifestado em várias cidades do país, na sua maioria de forma pacífica, exigindo uma investigação completa sobre as circunstâncias do tiroteio fatal.
Apesar de vários políticos democratas, principalmente o governador do Minnesota, Tim Walz, e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, contestem esta explicação oficial do Governo Trump, com base em imagens de vídeo, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, tem reiterado a versão oficial dos acontecimentos como legítima defesa, referindo-se ao sucedido como um ato de "terrorismo doméstico".
O essencial sobre o interesse dos EUA pela Gronelândia (em 4 pontos)
Território autónomo da Dinamarca, a Gronelândia é a maior ilha do mundo, com uma importância geoestratégica e riquezas naturais sob o gelo que cobre 81% da sua superfície a atrair o interesse dos Estados Unidos.
A ilha situa-se no Ártico e tem uma área superior à França, Grã-Bretanha, Espanha, Itália e Alemanha juntas, segundo o jornal norte-americano The New York Times (NYT).
O presidente Donald Trump definiu a Gronelândia como um objetivo estratégico para os Estados Unidos e assegurou que a ilha será tomada, a bem ou a mal.
"Se Trump conseguisse conquistá-la, seria a maior aquisição territorial da história dos Estados Unidos --- incluindo o Alasca e a Califórnia", assinalou hoje o NYT.
Eis as principais razões do interesse dos Estados Unidos pela Gronelândia, num trabalho da agência de notícias France-Presse (AFP):
Setor mineiro pouco explorado
Desde 2009, cabe aos gronelandeses decidir sobre o uso das matérias-primas da ilha.
O governo local, que tem na pesca a principal fonte de rendimento, destaca as riquezas do subsolo, embora apenas duas minas estejam em atividade e a produção seja limitada.
Num momento de crescente procura por metais e minerais, a corrida a recursos inexplorados acelera e a Gronelândia poderá afirmar-se como um 'eldorado', apesar do ambiente polar inóspito e das infraestruturas precárias.
O acesso a estes recursos é considerado crucial pelos norte-americanos, que assinaram em 2019 um memorando de cooperação no setor.
A União Europeia (UE) seguiu o exemplo quatro anos depois.
Bruxelas identificou na ilha 25 dos 34 minerais da sua lista oficial de matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.
A Amaroq, que explora a mina de ouro do território, pretende desenvolver a extração de terras raras, zinco, chumbo e prata, além de elementos críticos como germânio e gálio, podendo a produção arrancar em 2027 ou 2028.
Economicamente, a Gronelândia depende de uma subvenção de Copenhaga que representa um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) da ilha.
Proximidade a Nova Iorque
Embora a justiça, a política monetária, externa e de defesa dependam de Copenhaga, a capital gronelandesa, Nuuk, está mais próxima de Nova Iorque do que da Dinamarca.
Washington mantém uma base militar ativa no nordeste da ilha, em Pituffik, um elo essencial do escudo antimíssil norte-americano.
Durante a Segunda Guerra Mundial, "quando a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha, os Estados Unidos apoderaram-se da Gronelândia e, de certa forma, nunca a deixaram", disse a historiadora Astrid Andersen à AFP.
Para colmatar a falta de vigilância aérea e submarina a leste, a Dinamarca está a investir em patrulhas árticas, drones e radares costeiros.
Localização estratégica
Situada entre o Atlântico Norte e o Ártico, próxima dos Estados Unidos, do Canadá e da Rússia, a Gronelândia ocupa uma posição geográfica estratégica.
Trump acusa Copenhaga de não garantir a segurança do território face à Rússia e à China.
A Dinamarca rejeita as críticas e recorda o investimento de cerca de 12 mil milhões de euros para reforçar a presença militar no Ártico.
Horas antes de um encontro crucial em Washington com os responsáveis norte-americanos, o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, prometeu hoje "reforçar a presença militar" na ilha e intensificar o diálogo com a NATO.
População e forma de governo
A Gronelândia tem cerca de 56.600 habitantes, dos quais mais de 19.000 em Nuuk, segundo dados do Conselho Nórdico, de que faz parte.
A ilha integra a NATO desde 1949, como parte da Dinamarca, mas saiu da UE em 1985.
Mantém um acordo de pescas especial e é reconhecida como um dos territórios com associação especial à UE.
O rei Frederico X da Dinamarca é o chefe de Estado da Gronelândia, que tem um estatuto de autonomia, com um parlamento (Inatsisartut, 31 deputados) e um governo próprio, liderado pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen desde abril de 2025.
O dia mais longo do ano, 21 de junho, é o dia nacional da Gronelândia.
Gronelândia: Trump critica Noruega. Não se sente obrigado a pensar na paz
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje, numa carta ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr, que, depois de a Noruega não lhe ter atribuído o Prémio Nobel da Paz, "já não se sente obrigado a pensar apenas na paz".
"Caro Jonas: Dado que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido oito guerras, e mais, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz, embora esta seja sempre predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos", afirmou numa mensagem divulgada pelo correspondente da PBS News, Nick Schifrin.
O líder republicano vinculou a ameaça expansionista dos Estados Unidos sobre a Gronelândia devido ao facto de não ter recebido o galardão.
"A Dinamarca é incapaz de proteger este território contra a Rússia ou a China e, além disso, porque é que teria um suposto 'direito de propriedade'? Não há documentos escritos, apenas o facto de um navio ter chegado lá há centenas de anos, mas também enviámos navios", acrescentou.
Na sua opinião, ele próprio fez "mais pela NATO do que qualquer outra pessoa desde a sua criação".
"Agora, a NATO deveria fazer algo pelos Estados Unidos. O mundo não estará seguro a não ser que tenhamos o controlo total e absoluto da Gronelândia", conclui.
O Comité Norueguês do Nobel atribuiu o prémio de 2025 à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano".
No entanto, numa reunião na Casa Branca, em 15 de janeiro, Machado entregou-lhe a sua medalha como gesto de gratidão pela operação norte-americana que prendeu Nicolás Maduro no início desse mês, embora Oslo já tenha esclarecido que o prémio é intransmissível.
Trump insistiu hoje que chegou a hora de eliminar a "ameaça russa" da Gronelândia.
"Durante 20 anos, a NATO disse à Dinamarca que deveria eliminar a ameaça russa da Gronelândia. Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer isso. Chegou o momento, e isso será feito", declarou na sua plataforma de redes sociais, Truth Social.
Entretanto, a Federação Gronelandesa de Corridas de Trenós (KNQK) anunciou que o convite, feito sem o seu conhecimento, ao enviado especial de Donald Trump à Gronelândia para assistir a uma corrida em março foi cancelado.
Na semana passada, a emissora groenlandesa KNR noticiou que Jeff Landry tinha sido convidado por um operador turístico privado da Gronelândia para a corrida nacional de trenós puxados por cães, em março, um convite que a federação (KNQK) considerou "completamente inadequado".
"A KNQK foi informada de que a empresa de turismo que convidou o responsável norte-americano Jeff Landry retirou unilateralmente o convite. "Isso é tranquilizador", declarou a federação na rede social Facebook na noite de domingo.
Gronelândia? FMI apela a solução amigável e deixa aviso (sério)
O risco de uma nova escalada nas tensões comerciais, devido às divergências entre os EUA e a União Europeia relativamente à Gronelândia, teria um impacto significativo no crescimento, alertou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entrar numa fase de retaliação tarifária teria um efeito ainda mais adverso sobre a economia, que seria sentido não só pelo impacto direto na atividade económica, mas também pela erosão da confiança, sinalizou o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, em conferência de imprensa para apresentar a atualização do World Economic Outlook.
Embora tenha evitado fazer recomendações específicas de política comercial quando questionado sobre as recentes tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia decorrentes da pressão de Washington para adquirir a Gronelândia, Pierre-Olivier Gourinchas indicou que, em termos gerais, a instituição defende que todas as partes procurem uma solução que mantenha o sistema comercial aberto, preserve regras estáveis e previsíveis e permita que as empresas tomem decisões de investimento e as implementem.
"O ambiente atual não é propício a isso", reconheceu, acrescentando: "Pedimos a todas as partes que encontrem uma solução amigável para a situação", já que numa guerra comercial "não há vencedores", pois o aumento das tarifas prejudicará não apenas o país que as impõe, mas também outros países.
"Se entrarmos numa fase de escalada e políticas de retaliação, como sugeriu a pergunta, isso sem dúvida terá um efeito ainda mais adverso sobre a economia, tanto através de canais diretos quanto por meio da confiança, do investimento e, potencialmente, por meio de uma revisão dos preços de mercado", explicou o economista francês.
Na conferência de imprensa de hoje, o FMI insistiu também que a independência dos bancos centrais é "fundamental" e alertou para o risco ao crescimento económico global caso essa independência enfraqueça, numa alusão à Reserva Federal dos EUA.
"A fragilidade da credibilidade dos bancos centrais, incluindo a Reserva Federal dos EUA, resultando em maiores expectativas de inflação e menor procura global por ativos americanos, pode reduzir o crescimento global em 0,3% em 2026", afirmou o economista-chefe do FMI.
"Infelizmente, as ameaças à independência dos bancos centrais estão a aumentar e devem ser firmemente combatidas", acrescentou Gourinchas, após a intensificação dos ataques do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao presidente da Fed, Jerome Powell, nas últimas semanas.
O economista-chefe do FMI enfatizou que essa independência é necessária, principalmente para que os bancos possam responder rapidamente, seja apertando a política monetária caso as pressões da procura aumentem, seja relaxando-a caso as fragilidades do mercado de trabalho persistam ou ocorra uma correção de mercado.
"A independência dos bancos centrais é absolutamente crucial e uma das lições mais importantes dos últimos quarenta anos", enfatizou Gourinchas.
Embora o FMI já tivesse emitido um alerta relativamente à independência dos bancos centrais em outubro, desta vez surge durante crescentes ataques de Trump contra Powell, que denunciou a "pressão" do Governo após saber que o Ministério Público de Washington o está a investigar por supostos custos excessivos na renovação da sede da Fed em Washington.
Trump afirmou que, a partir de maio, indicará um substituto que partilhe a sua visão sobre as taxas de juros, que, na sua opinião, deveriam estar próximas de 0%.
CBS emite reportagem sobre deportações retirada do ar há 1 mês
A cadeia de televisão norte-americana CBS exibiu uma reportagem sobre deportações de imigrantes que a nova diretora de informação retirou em dezembro do célebre programa de jornalismo de investigação "60 Minutes".
Washington, 20 jan 2026 (Lusa) - A cadeia de televisão norte-americana CBS exibiu uma reportagem sobre deportações de imigrantes que a nova diretora de informação retirou em dezembro do célebre programa de jornalismo de investigação "60 Minutes".
A reportagem de um dos mais respeitados programas de jornalismo nos Estados Unidos sobre as deportações foi exibida no domingo, depois de a sua retirada abrupta do alinhamento ter desencadeado uma disputa interna que se tornou pública, com a jornalista responsável pela investigação, Sharyn Alfonsi, a acusar a diretora de uma decisão "política" e não editorial.
A reportagem não incluiu entrevistas em vídeo com responsáveis do governo de Donald Trump, mas teve declarações da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna que não faziam parte da reportagem inicialmente retirada.
Algumas das declarações, que foram reproduzidas na íntegra no site do programa "60 Minutes", eram anteriores a 21 de dezembro, quando a reportagem deveria ter ido para o ar.
"Desde novembro, o '60 Minutes' fez várias tentativas para entrevistar importantes autoridades da administração Trump perante as câmaras para falar sobre a nossa reportagem", afirma Alfonsi na sua investigação, adiantando que os pedidos foram "recusados".
A CBS afirmou que desde o início pretendeu exibir a reportagem, focada nos deportados enviados para a prisão de alta segurança CECOT, em El Salvador, enquanto a diretora de informação, Bari Weiss, argumentou que antes de ser emitida deveria refletir melhor os pontos de vista do governo e apresentar informações adicionais divulgadas por outros órgãos de comunicação social.
Embora tenha sido retirada do alinhamento em dezembro, a reportagem original de Alfonsi foi disponibilizada online por engano, uma vez que a CBS News tinha enviado uma versão da reportagem para a Global Television, estação que exibe o "60 Minutes" no Canadá, que a publicou no seu site.
A reportagem contém entrevistas com imigrantes enviados para o Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT), em El Salvador, no âmbito da agressiva política anti imigração de Donald Trump.
Dois deportados no vídeo divulgado relatam tortura, espancamentos e outros abusos; um venezuelano afirma ter sofrido abusos sexuais e confinamento solitário.
Um estudante universitário disse ter sido espancado e que após a sua chegada os guardas lhe arrancaram um dente, relatando "um inferno".
A reportagem inclui ainda depoimentos de especialistas que questionaram a legalidade da deportação precipitada de imigrantes com decisões judiciais pendentes.
São ainda apresentadas conclusões da Human Rights Watch indicando que apenas oito homens deportados tinham sido condenados por crimes violentos ou potencialmente violentos, com base nos dados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em língua inglesa).
A decisão de retirar a reportagem foi recebida com acusações generalizadas de que a administração da CBS estaria a proteger o Presidente de uma cobertura desfavorável.
Antes de ser contratada pela CBS, Bari Weiss trabalhou no The New York Times e tornou-se conhecida pelas suas críticas à cultura "woke" e aos media tradicionais.
Mais tarde, criou a sua própria empresa de media, a The Free Press.
A CBS News contratou Bari Weiss em outubro, comprando o The Free Press por aproximadamente 150 milhões de dólares e nomeando-a para a liderança da informação da cadeia, onde reporta a diretamente a David Ellison, presidente executivo da Paramount Skydance, de forma inédita.
Ellison nomeou Weiss com a missão de "modernizar o conteúdo" e fornecer uma "diversidade de pontos de vista", numa estação frequentemente acusada por meios conservadores de ter um pendor liberal.
Considerado um aliado de Trump, Ellison aparece frequentemente com o Presidente em eventos públicos, incluindo combates de luta livre UFC.
Para garantir a aprovação federal da fusão entre a Paramount, proprietária da CBS, e a Skydance em julho, a equipa de Ellison terá assumido compromissos com a administração Trump para "modernizar" a CBS News, incluindo a nomeação de um provedor para receber queixas de enviesamento ideológico, segundo os media norte-americanos.
Morte pelo ICE? "Cidadãos têm de se levantar contra injustiça", diz Obama
O antigo presidente norte-americano Barack Obama considerou a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes do ICE, em Minneapolis, uma "tragédia desoladora" e apelou a uma "reação" face aos "ataques" perpetrados conrta os valores fundamentais dos Estados Unidos.
"Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso governo", refere Barack Obama, num comunicado citado pela Agência France Presse, no qual critica a administração de Donald Trump, "ansiosa por agravar a situação".
Agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota.
Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra.
Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois. Tal como Renee Good, não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.
Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Alex Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês), "possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais".
Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 locais (15:05 em Lisboa), quando agentes realizavam uma operação contra um "imigrante indocumentado", chamado José Huerta Chuma, que "tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública".
Durante a operação "um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente", relatou, acrescentando que, "temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa".
Vários vídeos do analisados pela Associated Press, que mostram um agente ICE a disparar contra Alex Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.
Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência de notícias. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.
De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.
A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de janeiro, de Renee Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente do ICE quando conduzia o seu veículo, embora o governo de Donald Trump a acuse de "terrorismo interno".
Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de cinco anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas, aumentou a indignação de muitos cidadãos que acusam o ICE de abuso.
O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O'Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações naquela cidade do Norte dos Estados Unidos.
Republicanos preocupados com tiroteio em Minneapolis pedem investigação
Um grupo de republicanos expressou hoje preocupação crescente sobre as táticas que as autoridades federais de imigração estão a utilizar no Minnesota e pedem uma investigação à morte de um cidadão por um agente em Minneapolis.
O governador de Oklahoma, Kevin Stitt, disse que o assassinato, no sábado, de Alex Pretti, que protestava contra a repressão à imigração do Presidente Donald Trump, foi uma "verdadeira tragédia".
A mais recente vítima mortal do ICE é Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra. Era cidadão americano, nascido no Illinois e foi morto a tiro por um agente da Patrulha de Fronteira dos EUA, no sábado.
"Penso que a morte de americanos, o que estamos a ver na televisão, está a causar profunda preocupação com as táticas federais e a responsabilização", disse Stitt ao programa "State of the Union" da CNN.
"Os americanos não gostam do que estão a ver neste momento."
Quando questionado se achava que o Presidente deveria retirar os agentes de imigração do Minnesota, Stitt afirmou que Donald Trump tem de responder a essa pergunta.
"Ele está a ser mal aconselhado neste momento", acrescentou.
O governador disse que o Presidente republicano precisava de dizer ao povo americano qual é a solução e o "desfecho", e que era necessário haver soluções em vez de politizar a situação.
"Neste momento, os ânimos estão exaltados e precisamos de acalmar as coisas", observou Stitt.
Outros republicanos, incluindo os senadores Thom Tillis, da Carolina do Norte, e Bill Cassidy, da Louisiana, também expressaram inquietação.
Numa publicação nas redes sociais, Cassidy considerou o tiroteio "incrivelmente perturbador" e afirmou que "a credibilidade do ICE [Serviço de Controle de Imigração e Fronteiras] e do DHS está em jogo".
Tillis pediu uma "investigação completa e imparcial".
"Qualquer funcionário do governo que se precipite em julgar e tente encerrar uma investigação antes mesmo de ela começar está a prestar um 'desserviço' incrível à nação e ao legado do Presidente Trump", sublinhou Tillis numa publicação.
Os funcionários do governo foram firmes na defesa das táticas de linha-dura em relação à imigração.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que "é uma tragédia quando alguém morre", mas culpou os líderes democratas de Minnesota por "fomentarem o caos".
"Há muitos agitadores pagos que estão a incitar as coisas e o governador não tem feito um bom trabalho em conter isso", disse Bessent no programa "This Week" da ABC.
O governador do estado norte-americano do Minnesota, o democrata Tim Walz, pediu às autoridades locais que conduzam a investigação à morte do homem, um enfermeiro de nacionalidade norte-americana, baleado no sábado por agentes do ICE em Minneapolis.
"Não se pode confiar no governo federal para conduzir a investigação. O sistema judicial do Minnesota terá a última palavra", afirmou Tim Walz em conferência de imprensa, antes de acusar a polícia anti-imigração, de "semear o caos e a violência" naquele estado do norte do país.
Momentos antes, Tim Walz tinha denunciado "mais um tiroteio horrível por agentes federais", pedindo ao Presidente dos Estados Unidos para acabar com a operação anti-imigração e retirar "milhares de agentes violentos" daquele estado norte-americano.
Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois. Tal como Renee Good, outra cidadã norte-americana morta por agentes do ICE, não tinha antecedentes criminais e a família contou que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.
Os pais de Pretti disseram à agência Associated Press, no sábado, que embora soubessem que o filho tinha uma arma licenciada, nunca o viram com ela.
O Departamento de Segurança Interna alegou que o enfermeiro foi baleado após "aproximar-se" de agentes do ICE com uma arma semiautomática de 9 milímetros. As autoridades não especificaram se Alex Pretti empunhou a arma, que não é visível num vídeo do tiroteio analisado pela Associated Press.
Milhares em LA: "Fascismo aconteceu noutros sítios, por que não na América?"
Milhares de pessoas marcharam na noite de sexta-feira em Los Angeles em solidariedade com Mineápolis e contra a ação da agência de imigração ICE, pedindo a sua abolição e acusando o Governo norte-americano de táticas fascistas.
"Podemos acabar numa situação muito má", disse à Lusa Josh Miller, de 47 anos, que participou na marcha por estar muito alarmado com as ações da Casa Branca ao longo do último ano.
"Estes são fascistas que estão a tentar fazer aqui o mesmo que já vimos no passado", afirmou. "Fascismo aconteceu noutros sítios, por que não na América?", questionou. "Isso do excecionalismo americano é absurdo".
Miller referiu que a segunda presidência de Trump retirou todas as salvaguardas e está a seguir o manual implementado por Viktor Orbán na Hungria, onde "as pessoas têm medo de falar e perderam os direitos que tinham".
O receio de que os Estados Unidos caminham "a largo passo" para um regime autoritário foi referido por vários dos oradores que falaram à multidão, em frente à câmara municipal de Los Angeles, uma zona que foi palco de confrontos com a polícia e o ICE no verão de 2025.
"A situação está completamente fora de controlo", denunciou a senadora estadual Sasha Renée Pérez, que classificou a administração como "um regime fascista".
A responsável pelo 25º distrito da Califórnia disse que o ICE tem causado a morte a dezenas de pessoas, não só Renee Good e Alex Pretti, mortos a tiro por agentes, mas também de imigrantes que tentam fugir da detenção.
As mortes foram a principal causa de revolta dos manifestantes, que empunhavam cartazes a favor dos imigrantes e contra o ICE e Donald Trump.
"Este é o início de uma revolução", declarou a cofundadora do movimento Black Lives Matter, Melina Abdullah, que também falou à multidão.
"Em Los Angeles defendemo-nos", afirmou, acusando o ICE de fazer parte de um sistema mais alargado de policiamento injusto e lembrando que um agente de imigração que não estava em serviço matou a tiro um habitante da cidade, Keith Porter, na véspera de ano novo.
Debaixo de um sol forte e com temperaturas a rondar os 28 graus, os manifestantes gritaram palavras de ordem em inglês e espanhol, incluindo "chinga la migra", uma invetiva habitual entre a comunidade hispânica que pode ser traduzida como "que se lixe a imigração".
Nicolette, de 71 anos, disse à Lusa que foi ao protesto porque é essencial que as pessoas tomem uma posição a favor do sistema de governo, que está em risco.
"Quero o ICE fora daqui, a abolição do Departamento de Segurança Interna e o despedimento de [Kristi] Noem, [Greg] Bovino e Tom Homan", declarou.
"Penso que os protestos servem para dar coragem às pessoas que estão preocupadas mas ainda não saíram de casa", continuou. "Nem esperava ver tanta gente, tendo em conta que isto foi organizado em cima da hora".
Além da marcha, organizações de ativistas fizeram sessões de formação para ensinar as pessoas a observar e gravar ações do ICE dentro da legalidade, bem como treinos sobre como ajudar imigrantes nos seus bairros e o que fazer se agentes quiserem prendê-las durante protestos.
Milhares protestam em Minneapolis contra política de imigração de Trump
Milhares de manifestantes concentraram-se hoje em Minneapolis para protestar contra as operações realizadas pela agência de imigração norte-americana, que resultaram na morte de dois manifestantes nas últimas semanas.
Os protestos ocorrem em várias zonas dos Estados Unidos, num apelo a uma greve nacional com o lema "sem trabalho, sem escola, sem compras", em protesto contra a repressão da imigração promovida pela administração Trump e depois de Renee Good e Alex Pretti terem sido mortos a tiro, em 07 e 24 de janeiro, respetivamente, durante estas operações.
Em Minneapolis, Estado do Minnesota, os manifestantes marcharam pelas ruas da cidade do norte dos EUA, com cartazes contra o Presidente dos EUA, Donald Trump, e a agência federal de imigração (ICE), que se tornou um foco de tensão na cidade de tendência democrata.
Centenas de pessoas reuniram-se sob o frio intenso hoje de manhã, no Edifício Federal Bispo Henry Whipple, local de protestos frequentes nas últimas semanas.
Após discursos de membros religiosos, os manifestantes marcharam em direção à área restrita do edifício, vaiando uma fila de agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) e dizendo-lhes para "deixarem os seus empregos" e "saírem do Minnesota".
Grande parte do grupo dispersou depois de ter sido ameaçado de prisão pela polícia local por bloquear a rua.
Michelle Pasko, uma profissional de comunicação reformada, disse que se juntou à manifestação depois de testemunhar agentes federais a abordar imigrantes numa paragem de autocarro perto da sua casa em Minnetonka, um subúrbio de Minneapolis.
"Estão a vaguear pelas nossas ruas, estão a ficar em hotéis perto das nossas escolas. Todos neste país têm direitos, e o governo federal parece ter-se esquecido disso. Estamos aqui para os lembrar", frisou.
Algumas escolas no Arizona, Colorado e outros estados cancelaram as aulas preventivamente, antecipando um grande número de ausências.
Muitas outras manifestações foram planeadas para estudantes e outras pessoas se reunirem em centros urbanos, assembleias legislativas estaduais e igrejas por todo o país.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) anunciou hoje a abertura de uma investigação federal por possíveis violações de direitos civis na morte de Alex Pretti, abatido a tiro por agentes de imigração em Minneapolis.
O Departamento de Segurança Interna indicou também hoje que o FBI (polícia federal) vai liderar a investigação federal, após inicialmente ter sido anunciado que a Divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) conduziria o inquérito.
Em paralelo, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), agência do Departamento de Segurança Interna, está a realizar a sua própria investigação interna ao tiroteio, durante o qual dois agentes abriram fogo contra Pretti.
Vários vídeos divulgados posteriormente contradizem esta versão, mostrando que o enfermeiro de 37 anos tinha apenas um telemóvel na mão quando foi derrubado no chão, com um agente a retirar uma pistola da parte de trás das calças de Pretti enquanto outro disparava nas suas costas.
Pretti tinha uma licença estadual para transportar legalmente uma arma de fogo.
Nova-Iorquinos aderem a protesto contra ICE. "Vamos fechar tudo"
Nova Iorque juntou-se hoje a uma lista de várias metrópoles que acolhem manifestações em solidariedade com Minneapolis e que exigem a saída do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE) das ruas dessa e de outras cidades norte-americanas.
"Não podemos continuar as nossas vidas como se nada tivesse acontecido, como se as pessoas não estivessem a ser assassinados por protestarem, a serem perseguidas por serem imigrantes. Não vamos deixar isso acontecer. Vamos fechar tudo", dizia, com recurso a um megafone, uma das oradoras do protesto em Nova Iorque, sendo amplamente aplaudida pelos manifestantes.
A organização pede uma paralisação dos trabalhos, das escolas e dos comércios como forma de protesto contra as rusgas agressivas do ICE em várias cidades do país, com particular incidência e gravidade em Minneapolis, onde dois cidadãos norte-americanos foram baleados mortalmente por agentes de imigração.
"O pedido de Minnesota é claro: não pode haver negócios como de costume enquanto o ICE mata os nossos vizinhos, sequestra o nosso povo e aterroriza o país. Minnesota liderou o caminho na semana passada com uma enorme greve geral com mais de 100 mil pessoas. Agora é a nossa vez", apelaram várias organizações de apoio aos direitos dos imigrantes nas redes sociais.
O ponto de encontro foi a Foley Square, a poucos metros da Câmara Municipal de Nova Iorque e da sede do ICE em Nova Iorque.
A sensação térmica rondava os 14 graus negativos em Nova Iorque no momento do protesto, mas as baixas temperaturas não intimidaram os milhares de pessoas que responderam ao apelo nacional em prol de uma paralisação.
Com a cidade ainda coberta de neve devido à tempestade do passado fim de semana, dezenas de jovens nova-iorquinos trouxeram pás e outros utensílios para tentar remover o gelo do recinto do protesto e assim evitar potenciais quedas dos manifestantes.
"Cortem o financiamento ao ICE!", "Justiça por Alex Pretti {norte-americano morto no domingo por agente de imigração}", "Protestar contra o ICE não é crime", "De Nova Iorque a Minneapolis, todo o sistema é culpado" ou "A tua coragem é suficiente para derreter o ICE" eram algumas das mensagens que se podiam ler nos cartazes erguidos na Foley Square.
"Estou aqui hoje porque estou cansado de tudo isto. Quero que o ICE pare de matar pessoas. Estou aqui também em homenagem an Alex Pretti. Estou muito assustado com a situação que o povo do Minnesota está a passar", disse à Lusa Jon, um nova-iorquino que não quis fornecer o último nome.
"As ações do Governo de Donald Trump estão cada vez mais fora de controlo. Ele está obcecado com esta perseguição aos imigrantes", acrescentou o homem de 46 anos.
A morte de Renee Good e Alex Pretti este mês desencadeou uma onda de protestos nos Estados Unidos, obrigando o Governo do Presidente, Donald Trump, a afastar de Minneapolis Gregory Bovino, designado como "comandante-chefe" das operações da Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras, e que regressou ao antigo posto em El Centro, na Califórnia.
Após semanas de retórica agressiva e confrontos da polícia com manifestantes, Trump mostrou esta semana vontade de aliviar as tensões em Minneapolis, mas na cidade não se registam mudanças significativas, segundo a imprensa local.
O aparente recuo não foi suficiente para retirar os manifestantes das ruas.
Várias empresas e pequenas negócios aderiram também ao apelo de paralisação vindo de Minneapolis.
Uma das empresas a aderir foi a Plusable, que atua na área de relações públicas no estado de Nova Jérsia e que é liderada pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira.
"A Plusable solidariza-se com a greve de 30 de janeiro. Esta não é uma posição partidária --- é um apelo humano e cívico, num momento em que o clima de apreensão no país ultrapassa divisões políticas e está a afetar o espírito americano, com impactos reais na segurança e na economia", disse à Lusa Carlos Ferreira, sócio fundador da companhia.
"Que este protesto sirva para estimular a reflexão e para que a administração atue com maior solidariedade, responsabilidade e sentido de urgência", apelou.
Médico legista de Minneapolis declara morte de Alex Pretti homicídio
O Instituto de Medicina Legal do Condado de Hennepin, na cidade norte-americana de Minneapolis, declarou hoje que a morte do manifestante Alex Pretti por agentes da imigração foi um homicídio.
Num breve relatório, o Instituto refere que Pretti morreu a 24 de janeiro devido a múltiplos ferimentos de arma de fogo e que o caso está a ser tratado como homicídio.
O relatório refere ainda que o enfermeiro de 37 anos foi baleado por agentes federais durante uma operação policial anti-imigração.
Segundo imagens do incidente, vários agentes cercaram Pretti, imobilizaram-no e confiscaram-lhe uma arma antes de dispararem várias vezes enquanto estava no chão.
A morte de Pretti foi o segundo incidente deste tipo em menos de três semanas em Minneapolis, no estado do Minnesota, após a morte de Renee Good, uma mulher baleada por um agente da imigração a 7 de janeiro.
Tal como no caso de Pretti, o Instituto de Medicina Legal considerou a morte de Good, também de 37 anos, um homicídio.
A ProPublica noticiou no passado fim de semana que os agentes que balearam Pretti foram Jesús Ochoa, da Patrulha de Fronteiras (USBP), e Raymundo Gutiérrez, da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), os agentes responsáveis pela morte da enfermeira foram suspensos das suas funções.
O Departamento de Justiça anunciou na sexta-feira que iniciou uma investigação sobre possíveis violações dos direitos civis neste caso, após uma onda de intensos protestos na cidade e pedidos de ação por parte de vários legisladores.
O Governo Trump lançou em dezembro passado a chamada operação "Metro Surge", uma série de rusgas para deter migrantes indocumentados no Minnesota, um Estado governado pelos democratas.
As agressivas rusgas foram condenadas pelas autoridades locais e por milhares de manifestantes, que protestaram nas últimas semanas para exigir a saída daquele Estado dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou no sábado a retirada dos agentes federais de manifestações em Minneapolis e outras cidades governadas pelos democratas, mas prometeu que estes continuarão a defender as instalações do Governo federal.
"Dei instruções à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, de que em nenhuma circunstância participaremos nos protestos ou tumultos em diversas cidades governadas por democratas, a menos que solicitem a nossa assistência", anunciou Donald Trump na sua rede social, Truth Social.
O chefe de Estado deixa, assim, a responsabilidade de garantir a segurança durante os protestos e responder a possíveis distúrbios nas mãos dos governos estaduais e das autoridades locais.
Perante a crescente tensão, Trump há tinha substituído na semana passada o comandante das operações, enviando para a zona o seu "czar da fronteira", Tom Homan, com vista a um "apaziguamento", apesar de ter assegurado que as rusgas prosseguirão.